É melhor pensar duas vezes antes de ir ao banheiro e deixar o celular na mesa do bar.
Guardá-lo no bolso traseiro da calça também não é recomendável.
O melhor a fazer é mantê-lo à vista, andar sempre com ele, não largá-lo para nada. Parece exagero,
mas desviar a atenção do telefone, mesmo que por pouco tempo, pode acabar rendendo muita dor de cabeça.
O aparelho é um dos objetos mais visados pelos ladrões e qualquer descuido é suficiente para facilitar a ação deles.
Fora o prejuízo financeiro imediato, perder o celular demanda uma série de cuidados.
É uma verdadeira corrida contra o tempo a fim de evitar mais problemas.
Quando perdeu o celular, há cerca de dois meses, a comerciante Agueda Porto ainda tentou ligar para o telefone.
‘‘Uma pessoa atendeu e combinou comigo de devolvê-lo, mas não apareceu’’, conta. Ela então ligou para a operadora
e bloqueou a linha. A medida é fundamental para evitar que o ladrão ou alguém mal intencionado faça diversas ligações
com o aparelho e o cliente tenha de pagar a conta.
O bloqueio da linha pode ser feito por telefone. A pessoa só precisa ligar para o serviço de atendimento da
empresa telefônica e comunicar o extravio do aparelho. Com a linha bloqueada, é preciso registrar ocorrência policial
na delegacia da área onde ocorreu o roubo. O número de série do celular deve constar na ocorrência.
‘‘Com o número de série é possível identificar o dono se o celular for recuperado’’, explica o delegado adjunto da
Delegacia de Repressão de Roubos e Furtos.
Além disso, existe um cadastro nacional com os números de série dos celulares roubados, mantido pela
Associação Nacional das Prestadoras de Serviço Móvel Celular (Acel) e operacionalizado pelo Comitê Gestor de Roaming (CGR).
O cadastro permite que as 21 empresas de telefonia celular do país verifiquem se um aparelho é roubado antes de habilitá-lo.
Na teoria, os ladrões não conseguiriam habilitar um celular roubado, pois o número de série dele constaria no cadastro.
Mas as telefônicas só incluem um celular no cadastro da Acel depois que uma ocorrência policial é feita.
‘‘Às vezes a pessoa fica com preguiça de ir até a delegacia ou demora muito tempo para registrar a ocorrência’’,
diz Alcides Maya, diretor executivo do CGR. É tempo suficiente para que o ladrão habilite o celular em outra empresa.
Por isso, a ocorrência policial deve ser feita imediatamente. ‘‘Os bandidos são muito espertos, eles conseguem habilitar
um celular rapidamente se uma ocorrência não for feita’’, explica o delegado Cardoso.
Depois de tomar as providências necessárias, resta esperar pela recuperação do celular.
‘‘Sempre tentamos encontrar o dono de algum celular roubado’’, diz Adval Cardoso. Mas, na maioria dos casos,
o dono nunca mais vê o aparelho. A polícia, a Acel e as telefônicas são unânimes em dizer: o melhor a fazer é cercar
o telefone de cuidados para evitar todos esses problemas. Nada de deixar o celular à mostra ou largá-lo pelos cantos.
Quem passou pela experiência garante a mudança nos hábitos.