O primeiro registro de cultivo comercial de soja no Brasil data de 1914, no município de Santa Rosa, RS. Mas, foi somente a partir dos anos 40 que o seu cultivo adquiriu alguma importância econômica, merecendo o primeiro registro estatístico nacional, em 1941, no Anuário Agrícola do Rio Grande do Sul, onde se lê: área cultivada de 640 ha, produção de 450 t e rendimento de 700 kg/ha. Nesse mesmo ano, instalou-se a primeira indústria processadora de soja do País, em Santa Rosa, RS, e, em 1949, com produção de 25.000t, o Brasil figurou, pela primeira vez, como produtor de soja nas estatísticas internacionais. A partir da década de 1960, foi que a soja se estabeleceu como cultura economicamente importante para o Brasil. Naquela década, sua produção multiplicou-se por cinco (passou de 206 mil toneladas, em 1960, para 1,056 milhões de toneladas, em 1969). Foi nessa época também que o município de Estrela começou a dar maiores incentivos para produção da leguminosa. Para se ter uma idéia, o município forneceu através do fomento da Secretaria da Agricultura: Em 1969, 150 sacos de sementes de soja; 1970, 600 sacos; 1971, 1.100 sacos e 1972, 650 sacos. Apesar do significativo crescimento da produção no correr dos anos 60, foi na década seguinte que a soja consolidou-se como a principal cultura do agronegócio brasileiro, passando de 1,5 milhões de toneladas (1970) para mais de 15 milhões de toneladas (1979). Mais de 80% do volume produzido na época ainda se concentrava nos três estados da Região Sul do Brasil. Em 1977, instalaram-se em Estrela duas grandes empresas processadoras de soja – A Granóleo – Comércio Indústria de Sementes Oleaginosas e Derivados e Farol – Indústria Gaúcha de Farelos e Óleos. As empresas montaram suas unidades próximas ao porto de Estrela em virtude da construção do entroncamento rodo-ferro-hidroviário e as facilidades de exportação que este complexo passou a oferecer. As empresas, a partir de 1978, desenvolveram todo trabalho de recebimento, secagem, armazenamento, beneficiamento e transformação tendo em vista a exportação de óleo e farelo de soja. Inicialmente a capacidade de industrialização de cada uma das agroindústrias foi de 1.200 toneladas de soja, diariamente. Depois a capacidade de processamento aumentou, chegando até 2.000 toneladas diárias na Farol. Apesar de haver alguma produção de soja no Vale do Taquari, nunca foi suficiente para as gigantes instaladas em Estrela. A matéria-prima em quantidade suficiente é originária do Planalto Médio e das Missões, aproveitando o corredor em que se constituiu a BR 386. Desde então, anualmente, chegam a Estrela milhares de caminhões trazendo soja. Inclusive trens. Os produtos, farelo e óleo de soja são carregados em barcos e transportados até o Porto de Rio Grande de onde é enviado para países importadores. Os diretores responsáveis pela Granóleo na época de sua fundação, em 1976 eram: Presidente: Schan Ban Chun e Diretor Industrial: Lee Sching Chen. Na Farol: Direção Administrativa: Cláudio Lindemann e Direção Industrial: Cláudio Lang. Nas décadas de 1980 e 1990, repetiu-se, na região tropical do Brasil, o explosivo crescimento da produção de soja ocorrido nas duas décadas anteriores na Região Sul. Na década de 1990 a Região Centro-oeste torna-se grande produtora de soja. Já em Estrela, até o início da década 1990, 65% da economia do município dependia da industria de transformação, cujos principais produtos eram derivados de soja, com bebidas em segundo lugar e calçados em terceiro. Em 1990 a Farol enfrentou grave crise financeira, o que ocasionou a desativação da fábrica em Estrela, trazendo enorme prejuízo social e econômico. Talvez seja este um fator tenha contribuído, ou explica de certa forma, a diminuição da produção de soja em grãos no município (veja gráfico). Estrela, em 1990, produziu 8.232 mil toneladas de soja e em 2006 apenas 410 toneladas. É evidente que outros fatores podem ter influenciado: Emancipação de Corvo, financiamento, preço na hora da comercialização, clima ou produção de outras culturas, como o milho. No Brasil, em 2006, foram produzidos 52 milhões de toneladas, e Rio Grande do Sul, 7,5 milhões de toneladas de soja. A Granóleo continua em operação. A Farol poderá voltar como produtora de biodiesel. “Assim seja”.
Pesquisa: Airton Engster dos Santos Fonte de Pesquisa: Embrapa, IBGE, Diário de Notícias 1977 – Suplemento Especial sobre Estrela, Nossa Revista 1991, Especial sobre Administração Municipal 1989 – 1999. Imagens: Aepan-ONG Divulgado no Jornal Folha de Estrela Coluna Histórias da Nossa História |