FAROL S/A





Por: Airton Engster dos Santos








FAROL S/A
AEPAN




Há 18 anos fechava a maior agroindústria de Estrela:

A INTERBRÁS – Subsidiária da Petrobrás, criada em 1976 no governo de Ernesto Geisel, coincidentemente no mesmo ano da fundação Farol S/A, para promover os produtos brasileiros em países fornecedores de Petróleo, incrementou o comércio exterior.
Havia um acordo segundo o qual os países que vendiam Petróleo para o Brasil se comprometiam a fazer importações de produtos brasileiros equivalente a 20 % da receita obtida com a venda do combustível ao Brasil. Com o tempo a Interbrás ultrapassou está marca e se transformou numa Trading.
A Interbrás surgiu porque a Petrobrás á época chegou a ser a maior importadora de Petróleo do mundo. Em 1979 na segunda Crise do Petróleo ela comprou 11 bilhões de dólares. E quem compra 11 bilhões de dólares de um só produto tem possibilidades de fazer uma série de negócios exigindo contrapartida dos vendedores.
Assim o Brasil exportou automóveis, farelo e óleo de soja, calçado, tecnologia, prestação de serviços entre outros.
A Farol S/A através da Interbrás, exportou para países do Oriente Médio como Iraque e Iram, por exemplo, e recebeu da estatal de forma adiantada pelo produto comercializado.
Em março de 1990 – a Interbrás – então Trading Company da Petrobrás – troca Petróleo Iraniano por produtos agroindustrializados brasileiros. A negociação acontece em Buenos Aires em função da realização a mesma época do carnaval no Brasil, o que não é permitido pelos muçulmanos. O Brasil é representado por William Campelo, Gerente da área de Produtos Agroindustriais da Interbrás e o Vice-Ministro do Comércio do Irã. A negociação era tensa.
William é chamado ao telefone. Retorna e dá a reunião por encerrada: Tem de voltar imediatamente para o Brasil. Os Iranianos ficam pasmos. Acham que a Interbrás está blefando, tentam ceder e acatar a posição brasileira que rejeitavam. Nada feito.
É que a Interbrás acabara de ser extinta pelo recém empossado Presidente da República Fernando Collor de Mello. A empresa na época mantinha negociações com mais 20 países. Muitas outras negociações em curso também foram extintas.
Estávamos ganhando com a Farol S/A mercado lá fora graças a Interbrás. Depois da sua extinção não adiantou protestos de que a estatal era uma empresa lucrativa e eficiente.
Com a extinção da Interbrás pelo Decreto 99.226 de março de 1990, também a Farol S/A quebra de forma irremediável, pois dependia dos dólares da estatal para honrar compromissos já assumidos com fornecedores (produtores e cooperativas), trabalhadores e pagamento de impostos e empréstimos.

QUAL ERA A MOTIVAÇÃO POLÍTICA DE COLLOR
PARA LIQUIDAR UMA COISA TÃO IMPORTANTE ASSIM?

A ministra Zélia tinha acessores ligados a Cotia Trading, uma Company pequena, e a idéia seria a Cotia e outras empresas privadas na área do comércio exterior herdarem, digamos assim, o acervo da Interbrás, o que aconteceu em parte, talvez 30%, porque haviam operações que só podiam ser feitas de governo para governo. Quando o Iraque e Iram, por exemplo, negociavam com a Interbrás sabiam que estavam negociando com o governo brasileiro, porque a Petrobrás é uma empresa estatal, e esses negócios eles não fariam com a Cotia.


O GOVERNO COLLOR NÃO SABIA FAZER ESTÁ HAVALIAÇÃO?

Na verdade houve má fé, interesses subalternos, especialmente da Cotia Trading, o que ficou amplamente comprovado posteriormente com o Impedimento de Collor.
Nem o discurso privativo justificava a extinção da Interbrás, porque ela era uma alavancadora da iniciativa privada brasileira. A Interbrás fazia o trabalho de coordenação, às vezes criava uma mesma marca para o farelo e óleo de soja e exportava em nome de um pool de fabricantes do setor.

Slogan era:
Onde há Farol S/A, há Soja...

1 - A Farol S/A surge em 1976 e produz derivados de soja em Estrela-RS (farelo, óleo, farinha e ração animal), de 1978 até 1990, curiosamente período em que a Interbrás atuou como subsidiária da Petrobrás, ou seja, dependia da estatal para comercialização de seus produtos no exterior.
2 - Além da Interbrás a Farol S/A contava com a trading Omega (empresa menor) que comercializava seus produtos no exterior.
3 - A Interbrás a cada novo acordo internacional repassava recursos para Farol S/A a título de subsídio para produção no campo e na agroindústria.
4 - Em 1984 a Farol S/A aumenta sua capacidade de produção na fábrica de Estrela - RS: De 1.600 Toneladas/dia para 2.000 T/oneladas/dia. Fábrica moderna e de avançado padrão tecnológico e com escoamento favorecido pelos recursos de via navegável e desvios de viação férrea localizados junto ao parque industrial em Estrela.
5 - Na unidade de Estrela, a Farol possuía a mais ágil forma de descarga de soja do país (2 tombadores com macaco hidráulico)
6 - No início dos ano 80 a empresa contava com 18 filiais (rede de graneleiros) distribuídas nas regiões produtoras de soja no Rio Grande do Sul. A Farol foi a terceira maior empresa exportadora de produtos industrializados do Rio Grande do Sul.
7 - Com patrimônio estimado pelos diretores da empresa em cem milhões de dólares, foi leiloada por pouco mais de três milhões de reais em outubro de 1997.
8 - Desde outubro de 1990 não produziu mais derivados de soja. Apenas seus silos e secadores são utilizados para estocagem e secagem de grãos.

























Pesquisa: Airton Engster dos Santos
Fonte: Clipagem Aepan-ONG
Coluna Histórias da Nossa História do Jornal Folha de Estrela