Número de veículos cresceu 282% em Estrela - 1955 e 2006As vias públicas em Estrela e o crescimento do número de veículos:A questão do trânsito em Estrela, não é uma discussão nova. Vários administradores tiveram grande preocupação em organizar o trânsito e vias de acesso no município. Na gestão do ex-prefeito Bertholdo Gausmann, muitas ruas foram abertas, outras alargadas e calçadas. Uma das grandes obras de Bertholdo, certamente foi na Rua Nicolau Mussnich, dando condições de acesso na ponte alta do bairro Oriental (ponte Adão Henrique Fett). Muitas outras ruas receberam melhorias, totalizando 48.045,85 m² de calçamento. Pensando nos pedestres, o prefeito Gausmann (1969-1973) construiu 7.200,20 metros lineares de cordão e passeios. Também no governo de Guinter Wagner (1993-1996), um grande trabalho foi realizado com a construção de rótulas, asfaltamento de muitas ruas com alargamento e duplicação da Avenida Rio Branco. Destacando-se ainda o asfaltamento da Trans Santa Rita, que liga a Rua Júlio de Castilhos a BR 386, inaugurada em dezembro de 1995, que teve apoio do governo do Estado. Na verdade todos os prefeitos de alguma forma realizaram melhorias no trânsito da cidade. Entretanto, às vistas dos motoristas e pedestres parece que muito pouco tem sido feito, porque o trânsito parece crescer a cada ano. A resposta não está na organização, mas na quantidade de carros que circulam em Estrela. Estima-se que a cada ano, um percentual de 4,5% de novos veículos é acrescentado ao trânsito do município. Um número que não parece tão impactante, mas, ao se considerar que Estrela possuía em 2006, uma frota 13.008 veículos, sem contar as bicicletas, o quadro fica preocupante. Em 1955 o número, incluindo bicicletas e carroças, era de 3.401 veículos. Dividindo a quantidade na frota (13.008 veículos, IBGE-2006), pela população de Estrela (28.803 habitantes, IBGE-2007), temos uma média, hoje, de 45,16 veículos para cada cem habitantes, ou então 2,21 habitantes por veículo. Como ignorar o fato de que os veículos crescem nas ruas a cada ano? E os problemas também? No Rio Grande do Sul, a média é de um veículo automotor para cada três pessoas e em Porto Alegre de um para cada duas pessoas. Já no Brasil, com uma frota de 30 milhões de unidades, a média é de um veículo para cada cinco habitantes. Em Portugal a média é de um veículo para dois habitantes, o mesmo número na maioria dos países da União Européia. Nos Estados Unidos a média é de um veículo por 1,33 habitantes. Ações de conscientização Além de o trânsito absorver a cada ano uma grande quantidade de veículos, tornando a movimentação por Estrela difícil, com alguns gargalos, há ainda a questão ambiental. Com uma frota de 13.008 veículos, o meio ambiente sofre com a questão da poluição do ar e sonora. Os carros liberam, pela queima do combustível, o gás carbônico, que traz inúmeros impactos ambientais. Pensando nisso, sugerimos a prefeitura promover uma Jornada Municipal de Conscientização. Ações como essa, convidam a população a refletir sobre o uso do carro de forma indiscriminada ou perigosa. Entretanto, mesmo a orientação dos motoristas e pedestres nas ruas, é muito pouco em termos de ação efetiva, para que todos tenham a noção dos problemas de trânsito. Mas o importante é agir observando a questão de fluxo nas vias públicas, mas acima de tudo, de segurança dos motoristas e pedestres. A necessidade de se encontrar alternativas para promover um trânsito com mais educação e cidadania deve ser perseguida por todas as pessoas e segmentos da sociedade. É muito importante disseminar ainda mais as ações de educação voltadas para o trânsito, dentro das escolas, associações e sociedade organizada. É urgente a necessidade de desenvolver instrumentos eficazes para a promoção de um trânsito educado, consciente e seguro. De acordo com especialistas, o trânsito deve ser olhado como uma questão multidisciplinar onde a cidadania e educação para o trânsito devem ser questões debatidas, insistentemente, entre os órgãos responsáveis e a sociedade. O trânsito está intrinsecamente ligado a questões culturais e por isso, as soluções viáveis para a problemática devem estar de acordo com a os anseios da sociedade.
Pesquisa: Airton Engster dos Santos Fonte de dados: IBGE e Enciclopédia dos municípios brasileiros de 1959 – Publicação comemorativa do 3º ano do governo do Presidente JK. Coluna Histórias da Nossa História Matéria divulgada no Jornal Folha de Estrela |