Arquivos da MemóriaHá exatos 20 anos, em 16 de setembro de 1987, a revista Isto É, de circulação nacional, e com o título “Arquivos da Memória”, trazia matéria especial sobre o esforço de Gisela Schinke e família para transformar em museu a casa onde residem até hoje. Também destacava exemplos em várias regiões do Brasil de cidadãos que ajudavam na preservação da memória. O interesse pela história e pelos aspectos da sociedade tem levado à ampla e confortável casa de Gisela Schulz Schinke uma legião de visitantes. Há muitos anos ela e o marido, Werner Schinke, coletaram o maior acervo particular de peças e documentos, sobre a colonização alemã no Rio Grande do Sul. A matéria da revista destaca que as peças foram obtidas no interior do município de Estrela colonizado por imigrantes alemães desde o século XVIII. Extremamente dedicada dona Gisela fez cursos de museologia a fim de interar-se sobre a complexidade desta ciência e adquirir conhecimentos. Ela alia informações acadêmicas à sensibilidade para perceber importância histórica dos objetos encontrados. Também compartilha seus conhecimentos com as diversas pessoas da comunidade, do país e até do exterior. Naquela época (1987) a família já manifestava preocupação com relação ao futuro do acervo. Dona Gisela avisou “não morro antes disso. Não podemos esquecer o passado, é a nossa cultura afirmou”, referindo-se ao destino seguro do museu. Em visita, a “residência museu”, no dia 16 de setembro de 2007, integrantes da Aepan-ONG (Belkis Carolina Calsa, Jorge Scherer, Marco Kafer e Felipe Majolo) constataram em loco a grandiosidade da coleção de objetos antigos expostos, provenientes das colônias alemã e européia em geral e quadros lindíssimos que detalham a natureza e arquiteturas cuja artista é a própria dona Gisela. Tudo é especial, maravilhoso, exuberante, cada peça é inigualável em beleza e importância. Todo acervo dos Schinke desperta admiração e êxtase. Pensar que cada um dos objetos foi fruto da criação humana, num determinado momento de inspiração e expressão, e significam um sentimento, talvez uma paixão, quem sabe uma superação, a busca da própria sobrevivência. Isto que somos para a vida. Momentos de expressão e manifestação. Somos um pouco do escultor, um pedaço dele, em forma de objeto esculpido, uma ferramenta, um móvel, um utensílio. Mas este Museu é maravilhoso. Estas obras precisam ser cuidadas e guardadas com muito carinho e amor, com muito zêlo. São especiais para dona Gisela, para o Doutor Werner, para nós, todos. Que especial são os Schinke, que contribuição maravilhosa para humanidade. Estes foram os comentários dos integrantes da Aepan-ONG, no almoço servido no Kaku’s Bar, logo após a visita aos Schinke. E eu fiquei a pensar... A obra dos Schinke encantou os ambientalistas como já havia despertado admiração nos repórteres da revista Isto É, em setembro de 1987. Vinte anos e a magia continua a mesma. Que lugar é este, que encanta, apaixona, desperta sentimento especial, é único? É a casa dos Schinke, para nosso orgulho, em Estrela, nosso município. Mas a visita aos Schinke, também proporcionou aos ambientalistas expor o projeto da Aepan-ONG da futura construção do Memorial da entidade que prevê sala de exposições, auditório, laboratório e oficinas de objetos a partir de material reciclado. O acadêmico de arquitetura, Felipe Majolo apresentou as plantas e maquete da futura edificação. A iniciativa foi elogiada pelos Schinke que inclusive estiveram presentes na assembléia de fundação da Aepan-ONG em 1992. Dona Gisela autografou o exemplar da “revista Isto É” de 1987 que pertence ao acervo da Aepan-ONG, que traz a matéria especial sobre a residência museu dos Schinke. Muito obrigada dona Gisela e Doutor Werner, Vocês são motivo de orgulho para todos que apreciam a natureza, a arte, o belo, a música, a pintura, a vida. Curiosidade: Museologia é a área do conhecimento dedicada especialmente à administração, manutenção, organização de exposições e eventos em museus.O museólogo dedica-se à classificação, à conservação e à exposição de peças de valor histórico, artístico, cultura e científico. Sua missão é transmitir conhecimentos e desenvolver ações culturais por meio de acervos. Além de planejar e executar tarefas de documentação, arquivamento e conservações de objetos, ele faz aquisições, administra coleções e promove intercâmbio de peças com outros museus.
Pesquisa: Airton Engster dos Santos Coluna Histórias da Nossa História Matéria divulgada no Jornal Folha de Estrela |